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Transcript
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Perceba aí, Avaí, petulância desse cavalo. Primeiro sinal que Jesus deu a Jonas. Não, não, não, não, não. Lá em Isaías, na página 37 pra mim é não, isso eu não te odeia, minha filha. Oi, Money, tatapal. Bem vindos a mais um episódio semanal por aqui, gente do nosso querido podcast gratuito nas plataformas. A gente não está só no Spotify, tá? Você pode estar me ouvindo no Apple. Você pode estar me ouvindo no Amazon Music também. Bom, mas isso não te impede de assinar meu clube de assinantes lá no aporce.
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Ela falou o diabo, amassou o pão e socou na minha boca. Goela abaixo, literalmente, gente. É literalmente. Juro pra vocês. Bom, eu vou contar a história dela aqui e que fique de lição também pra gente, né? A Luiza, no final, comenta sobre o que que ela aprendeu com tudo que ela passou nessa relação. E eu acho que todo mundo que está ouvindo aqui já passou por isso. De alguma forma, eu tenho certeza. Vamos lá? Oi, PA, tudo bem? Essa é a história da primeira e da última vez que eu aceitei ser feita de idiota.
O ano era 2022 e eu tinha só 19 anos, trabalhava na praça de alimentação num shopping. Eu vou te falar o verdadeiro hospício todo mundo pega, todo mundo fofoca corre mais rápido que promoção. Bom, e foi nessa que eu conheci o Jurandir. Ele me chamou pelo Instagram, eu não respondi porque tava trabalhando e ele resolveu ir atrás de mim pessoalmente. Parecia bonito, simpático, gente boa. A embalagem era bonita, sabe? Pena que por dentro era. Puro lixo tóxico.
Bom, marcamos um encontro. Eu deixei de pegar a van da empresa que me deixava em casa e fui esperar por ele 10 horas da noite. Quando cheguei no restaurante onde ele trabalhava, eu vi ele conversando com uma mulher. Ela atravessou o salão, me olhou de cima abaixo e perguntou, você tá esperando o Jurandir? E eu falei, sim. Ela saiu bufando de ódio e na mesma hora eu entendi o recado, pedi um Uber e fui embora. Hoje eu teria bloqueado aquele homem naquele mesmo instante, mas eu tinha 19 anos.
Não tomei essa decisão. No dia seguinte, ele apareceu no meu trabalho como a desculpa esfarrapada, dizendo que ela era só uma amiga e que eu deveria ter esperado para nós 3 sairmos juntos. É o que, Jonas, mas pera aí, amiga, pera aí. Você conheceu o cara, vocês tinham marcado de sair, tipo, ele te mandou mensagem no Instagram para vocês saírem aí Do Nada, ele lança essa braba tipo AI, você devia ter esperado. É para a gente sair entre AI fazer uma brincadeirinha gostosa. Gente, amiga, como que você não bloqueou este homem? Meu Deus, Luiza.
AI, pai, eu sei que eu fui muito peitudinha burrinha naquele momento. Eu sei, eu acreditei, sabe? Foi aí que começou o pior pesadelo da minha vida. Pai, ele nunca tinha dinheiro pra nada, nunca, nem pra comprar uma bala. Todos os nossos encontros eram pagos por mim. Bar, cerveja, sinuca, hotel, motel, absolutamente tudo saía do meu bolso. Mesmo assim, depois de poucos encontros, ele já dizia que me amava, que eu era mulher da vida dele e falava até em casamento.
Hoje eu sei exatamente o nome disso, manipulação e pouco tempo depois eu descobri que ele tinha uma filha. Também descobri que vivia sendo procurado pela justiça porque não pagava a pensão da criança. Falava que amava a filha, mas nem o leite dela ajudava a comprar. Aquilo já deveria ter sido suficiente para eu ir embora, mas eu era muito nova e já tava emocionalmente presa naquilo daí em diante. Foi só a ladeira abaixo. Ele me traia sem o menor constrangimento, beijava outras mulheres, dormia com outras mulheres e mentia olhando nos meus olhos. E ainda teve a coragem de me transmitir uma vaginose bacteriana, com certeza comendo outras mulheres. Acabou passando pra mim.
Eu passei dias afastada do trabalho, aplicando pomada, indo ao médico e sentindo tanta dor que eu mal conseguia andar. Enquanto eu me recuperava da infecção que ele me causou, ele continuava vivendo como se nada tivesse acontecido, como se eu fosse descartável, como se eu fosse só mais uma. Além de tudo isso, vivia me pedindo dinheiro. Emprestei meu cartão. Ele torrou o limite inteiro em cerveja bar e Deus sabe mais o que em uma única noite, enquanto eu estava em casa, doente, com algo que ele me passou, ele não me perguntava se eu estava bem, tá?
Nem se eu precisava de alguma coisa. Ele só queria o meu dinheiro, que não era quase nada, já não tinha nem para mim. Depois conseguiu estourar meus outros cartões também. Ele roubou meu cartão de um outro banco sem eu saber. Pois eu não usava, não tinha nem aplicativo instalado e ele gastou tudo. Eu só fui descobrir tempos depois. O meu nome ficou sujo pá no Serasa por anos por culpa daquele parasita. Enquanto eu trabalhava igual uma condenada para pagar as minhas contas, ele torrava o meu dinheiro com bebida e outras mulheres.
E mesmo assim ele ainda tinha coragem de sentir ciúme. Uma vez pegou meu celular pra mandar mensagem para a mãe dele e encontrou uma conversa antiga com o rapaz, de antes de eu conhecê lo, ele fez um escândalo, palomo no meio da rua, me xingou de tudo quanto é nome, me humilhou mesmo o homem que me traía praticamente todos os dias. Queria cobrar a fidelidade de mim por uma conversa que aconteceu antes dele entrar na minha vida. Paloma, ele era tão hipócrita. E sabe o que foi pior?
O estrago que aquele homem fez na minha cabeça. Era um ciclo, sabe que nunca acabava em 1 minuto. Ele dizia que eu era mulher da vida dele, que me amava, que queria casar comigo e construir uma família. 5 minutos depois, desaparecia, tava abraçado com outra, me deixava sozinha em algum lugar, simplesmente sumia, sem dar nenhuma explicação, e eu ficava ali olhando pro celular, tentando entender em que momento eu tinha errado. A resposta é que eu nunca tinha errado. Eu só tava tentando amar alguém que era incapaz de respeitar qualquer pessoa além dele mesmo.
Ele fazia questão de diminuir tudo em mim, reclamava do meu jeito, falava mal da minha aparência, criticava meu corpo. Ele me fazia sentir insuficiente, como se eu precisasse provar todos os dias que eu merecia o mínimo de carinho. O problema, né? Que ele precisava diminuir a minha autoestima pra garantir que eu nunca encontrasse forças pra ir embora, né? Enquanto eu fazia planos pra nós 2, ele fazia planos pra próxima. Mentira. Enquanto eu trabalhava pra construir uma vida, ele trabalhava pra destruir a paz e a minha vida. Enquanto eu chorava escondida no banheiro perguntando a Deus porque que eu nunca era o suficiente, ele tava gastando meu dinheiro me traindo e voltando pra casa como se nada tivesse acontecido.
Eu me perdi completamente. Eu deixei de reconhecer a menina, alegre, independente e cheia de personalidade que eu sempre fui. Eu passei a viver com ele, pisando em ovos, tentando não irritá lo, tentando agradar alguém que já tinha decidido me machucar muito antes de eu perceber. Enquanto isso, ele fazia promessas, tá? Falava em Aliança que queria casar. Só que ele nunca postou uma única foto comigo. Ele nunca me assumiu de verdade. Nos lugares onde saíamos, era um chaveiro, a carteira ambulante dele, sabe? Em uma noite eu bebi tanto de raiva que eu passei mal e ele me abandonou sozinha às 2 da manhã, na porta de uma conveniência. Quem me ajudou foi um rapaz que tava saindo de um terreiro de umbanda ali perto.
Esse moço me segurou pelos braços e disse que aquela não era a vida que ele enxergava para mim. E disse que a pompa gira dele estava me mandando ele embora para casa. Engraçado, um completo desconhecido demonstrou mais humanidade em 5 minutos do que aquele homem em meses de relacionamento. Depois disso, aluguei meu próprio apartamento, achei que finalmente teria a paz. Que nada. Ele transformou minha casa num hotel gratuito. Entrava, tomava banho com água que eu pagava, comia a comida que eu comprava. Dormia na cama que eu pagava, vestia as minhas roupas de marca, calçava meus tênis caros e usava meu corpo e depois embora como se eu tivesse obrigação de sustentar aquele peso morto.
Mas o pior nem eram as traições, era frieza. Eu tinha crise de ansiedade constante, chorava até faltar o ar. E sabe o que que ele fazia? Mandava eu calar a boca. Ou, às vezes, ele fechava a porta do quarto e dizia, eu não sou obrigada a ficar escutando você chorar. Falando, eu estava com alguém completamente indiferente aos meus sentimentos, meus sofrimentos, sabe? Teve coragem até de levar 2 amigos homens para dormir dentro da minha casa contra a minha vontade. Eu nunca senti tanto medo.
Aquele homem simplesmente não respeitava nenhum limite. Nem da minha casa, nem o meu corpo, nem a minha paz, nem a minha dignidade. Enquanto isso, amigos me alertavam, familiares me alertava e eu sonhava constantemente que estava sendo traída. Depois que eu entrei para a umbanda e me disseram que aqueles sonhos eram avisos para eu acordar, eu percebi que esse problema já estava acontecendo há muito tempo. Em um desses sonhos, eu vi o Jurandir beijando uma mulher loira. No dia seguinte, um colega de trabalho perguntou se eu tinha terminado com ele, eu falei que não. Foi, então que ele contou que tinha visto exatamente isso. Ele falou, engraçado, Luiza, eu te perguntei isso porque eu vi ele agarrado com uma mina loira e tal. Sabe a fulana?
Paloma era minha conhecida quando confrontei aquele infeliz, ele fez o malabarismo de sempre, mentiu, inventou, manipulou. Naquele momento eu sorri, eu fingi acreditar, mas por dentro eu já tinha enterrado aquele relacionamento, passei a ignorá lo, comecei a viver minha vida como uma pessoa normal. Já que ele queria brincar de ser solteiro, eu também queria descer para o play. Foi exatamente o que eu fiz, sem o menor medo, sem culpa, comecei a sair pra ir pra festas e tal e comecei anão dar mais satisfação. Não abria mais a porta.
Quando ele aparecia, esmurrando a minha casa de madrugada, porque nem a mãe dele aguentava mais aquele encosto, até ela o colocava pra fora. Nessa época ele conseguiu emprego como sushi Men, o único trabalho que ele realmente sabia fazer. Foi aí que eu encontrei o ponto fraco dele. Em uma noite na minha casa, bêbado como sempre cheirando a perfume feminino, deixei ele entrar, tomou banho, comeu, dormiu, dormiu como um anjo. Na manhã seguinte, saí para trabalhar, mas não foi uma manhã comum. Eu queria que ele sustentasse o peso de ficar sozinho com seus próprios demônios.
Eu tranquei a porta por fora como a única chave, desliguei o disjuntor, não tinha comida em casa e fui viver meu dia. Ele passou horas preso dentro do apartamento, mais de 12 horas sem luz, sem comida, sem conseguir sair. Detalhe importante, ficou sem celular também. Ele vivia vendendo celulares que tinha para poder pagar a dívida que ele fazia com outras pessoas, incomunicável, completamente preso e pelo menos uma vez durante todo esse inferno, independente de mim, para poder sair.
Quando eu cheguei da hora extra, eu que fiz o maior prazer. Ele estava jogado na cama, no escuro, consumido pela própria raiva. Pedi desculpas com a maior cara de paisagem, disse que esqueci de de deixar a chave e levei comigo. Sobre a energia, disse que teve um apagão no bairro e desligaram todas as chaves. Perguntei se ele tinha comido algo, ele só balançou a cabeça que não dava para ver que ele estava pálido de fome, não tinha feito as compras, ainda não tinha nenhum pão velho dentro do meu armário. Ele levantou e foi embora sem olhar para trás. Naquele dia, eu não coloquei o limite. Eu ergue uma muralha entre mim e aquele inferno. Ele ainda tentou voltar algumas vezes. Da última vez fiz questão de recuperar tudo que era meu. Mandei tirar o meu tênis, o meu moletom, a minha camiseta. Dependeu ele coloquei ele no lugar dele, ele saiu descalço e sem camisa, num frio de 10°, e eu o ameacei como se fosse o Hulk.
Expulsei aquele homem da minha casa e da minha vida, eu xinguei ele de todos os palavrões possíveis dentro do meu Arsenal de xingamentos. Gastei tudo com ele, eu senti o meu sangue fervendo, porém, sempre mantendo a calma, eu não levantei a voz. Ele saiu desolado, só que ele nunca mais voltou. Depois eu descobri que ele perdeu o tão sonhado emprego de suchimento depois do ocorrido, eu não sei se hoje paga a pensão da filha, não sei se continua sendo procurado pela polícia. Não, você está preso.
Sinceramente, pá, parei de gastar minha paz tentando acompanhar a queda de quem escolheu viver o próprio caos. Anos depois, consegui quitar todas as dívidas que ele deixou e limpei meu nome, reconstrui minha vida e hoje eu tenho meu apartamento e eu tenho um homem que me ama. Tenho paz, principalmente. Tenho respeito até hoje, quando o Jurandir me vê na rua, baixa a cabeça e atravessa para outra calçada, a maior vingança não foi deixá LA 1 dia sem luz e sem comida. Foi mostrar para ele que ele nunca mais pisaria na minha dignidade, porque o homem que um dia me fez acreditar que eu não valia nada, hoje não ocupa nem 5 segundos do meu pensamento. Nunca mais aceitei migalha e depois desse relacionamento a minha régua subiu tanto.
Que homem sem caráter, responsabilidade e respeito não chega nem perto da minha vida e essa foi a pior experiência que eu já vivi. Mas também foi ela que me ensinou da forma mais dolorosa possível, que é amor de verdade. Nunca humilha, nunca manipula e nunca faz você abandonar a si mesma. Hoje eu entendo que nenhum relacionamento saudável faz uma mulher duvidar do próprio valor. O amor não faz sentir medo. O amor não faz você se comparar com outras mulheres. Não faz você chorar escondida pra ninguém te ouvir o amor não faz você adoecer eu preciso chegar no fundo do poço pra entender que eu não precisava me tornar suficiente Pra Ele. Eu precisava me tornar suficiente pra mim. Foi exatamente o que eu fiz, reconstruir a minha autoestima, a minha vida, meu nome, meu coração. E hoje, quando eu olho pra trás, eu não sinto saudade daquela história.
Eu sinto orgulho da mulher que conseguiu sobreviver a ela. É isso aí. Ela mandou foto do Jurandir e ela com o atual e ela tipo assim, aquelas. Mulher sabe muito emponderada assim, mulherão da porra, sabe? É Ela. Diva. Primeiro assim, muito obrigada por dividir a sua história com a gente. Segundo que eu quero que todo mundo que já passou por isso comente, por favor desse episódio. Porque é engraçado o quanto a gente se perde em relacionamentos abusivos e o quanto a gente, mesmo reconhecendo, sabe?
Tipo, que a pessoa não gosta da gente, que a pessoa não respeita a gente, que a pessoa não tem amor, cuidado, carinho, que a pessoa não tem nada pela gente mesmo a gente reconhecendo isso. Porque a gente consegue identificar, né? Que tem alguma coisa errada, a gente não consegue sair. Porque eu acho que a gente sempre fica naquele limbo de ouvir tantas coisas da pessoa que chega 1 hora que a gente acredita que aquilo é verdade, porque tem isso também.
Tem uma outra parte também que joga a gente num lugar de dependência, de medo de ficar sozinha. Então tipo assim, AI tá ruim com ele, mas eu acho que vai ser pior sem ele, então vou ficar aqui, sabe? Eu já vivi um relacionamento assim, gente. Depois que eu me separei do meu ex marido, eu fiquei 8 anos casada. A gente se separou uns 3 meses. 4 meses depois eu conheci um cara e gente, esse cara assim. Foram 7 meses de idas e vindas e tal. E a Paloma que vocês conhecem hoje?
Não dá nem pra acreditar que já teve relacionamento amoroso com este cara que eu que eu tive. O cara era extremamente manipulador, mentiroso e responsável. Não tinha trabalho, não tinha dinheiro, não tinha responsabilidade. Tratava a mãe dele igual um lixo, tipo assim, lixo nível. Chamava a mãe de vagabunda, sabe? E me agrediu 2 vezes gente, 2 vezes, tipo assim, uma vez foi um emburrão, da outra vez foi um tapa que ele me deu assim, de uma briga ridícula que ele cavou, bebia para caralho assim, era um cara.
Gente, ele era péssimo. Eu não sei em que momento eu aceitei aquilo, tipo, eu não sei em que momento eu aceitei aquilo na minha vida, sabe? Horrível, horrível, péssimo. Então, assim, sair de relacionamento abusivo demora, mas quando a gente entende que precisa sair e consegue sair, é uma Vitória. Gigantesca. E eu acho que é isso. Reconhecer o próprio valor é o primeiro passo, né? Adorei você ter deixado ele trancado dentro da sua casa sem nada, sabe, Pra Ele entender o lixo que ele era, mas assim, eu acho que isso foi Um Ato de Coragem que você teve, que foi mais pra sua libertação do que pra castigar, ele sabe. Arrasou fica aí a lição.
Comenta aí o que que você achou desse episódio. Se você já passou por alguma coisa parecida, escreve pra gente também, tá bom? E é isso, um beijo até semana que vem.
Transcript supplied by the publisher with the episode.
Podcast
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Paloma Fernandes · Society & Culture · Portuguese
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